09/01/08

Taxi...


Quando se trata de apanhar um taxi no meio da rua, geralmente, nunca me acontece como nos filmes! Bem que estico a mão, o pé e nada! Nunca aparece um disponível, logo ali! A primeira vez que me aconteceu, pasmei. E ainda não sabia que estava para pasmar muito mais. Foi em Lisboa. Olhei para o lado esquerdo, estiquei a mão e o taxi parou logo ali. Esse dia foi de filme. Tão de filme que o motorista desse mesmo taxi foi detido 15 minutos depois! Assim, tipo sair da viatura à força e mãos atrás das costas! Dois carrros de polícia um taxista e eu... e eu incrédula a pensar que era para os Apanhados. Eu à procura de uma câmara, para dizer, com um adeus envergonhado, "isto é só a brincar, mamã! Não te aflijas!!!" Mas era a sério. O polícia a mandar-me sair do carro. Saia, saia. Desculpe o incómodo. Mas saia. Que corria perigo... e eu a sair, atónita a pensar porquê a mim e a responder-me, como sempre, porque sim. Se não fosse a ti era a outro qualquer! Entretanto o Pendular já teria partido e eu rua Augusta fora, ou rua do Ouro ou outra qualquer, por ali fora. A pensar, a beliscar-me. À beira de um ataque de nervos. Nesse dia, lembro-me claramente, contra todas as previsões, cheguei ao Porto de avião! Foi, talvez, há cinco anos.

Isto para registar, imaginem só, que ontem, em Lisboa, pela segunda vez na vida, estiquei a mão, como nos filmes, e o taxista parou de imediato.Passados 15 minutos, nenhum carro da polícia nos perseguia e, o motorista, não foi detido. Nem eu ía para Santa Apolónia. Ontem, entrei no taxi para fazer uma viagem um pouco maior. E o taxista ouvia Antena 2. E perguntou se aquela música me incomodava? E eu, que não, que não, que até lhe agradecia. Que gostava. E ele a falar de música clássica. A mostrar-me, com delicadeza e certa timidez os seus discos de música clássica e a falar de Mozart. Com sabedoria. E a perguntar-me se podia pôr um disco, já que eu gostava...e se podia pôr mais alto. E eu que sim. Que podia. E a música toda dentro do carro, os vidros fechados e cristalinos. E Lisboa lá fora, aberta, carregada de gente em trânsito...como eu. Como nos filmes...

6 comentários:

Claudia Sousa Dias disse...

è mesmo um filme à Maria Vienne!

Um beijinho grande,minha querida e ainda bem que fizeste a viagem em boa companhia.

E com boa música, ainda por cima!


CSD

Woman Once a Bird disse...

Excelente forma de "iniciar" o ano, não é? De qualquer modo, corajosa. Eu, provavelmente nunca mais tentaria um táxi estilo cinema e perderia esta segunda experiência. ;)
Um bom ano para si também, Maria, e que nos escreva mais, que anda um bocadinho arredada.

Dalaila disse...

já sentia falta das tuas histórias, verdadeiras, e que mais parecem um filme.

não te perdoo, falta a matrícula do taxista para quando fosse a Lisboa, não trocava de taxi, não...

e levaria uns cds para a troca:)

beijinho

Anónimo disse...

História linda e que bem contada!

Sílvia disse...

Fiquei boquiaberta, com as duas estorias, confesso.

Dirim disse...

:)